Alguns estudantes das Sagradas Escrituras reproduzem a opinião de eruditos bíblicos pelo simples fato de serem eruditos, não se preocupando em checar os fundamentos ou bases dessas opiniões.
Em seu livro “Introdução Bíblica”, escrito em parceria com William Nix, Norman Geisler faz a seguinte afirmação sobre o Códice Sinaítico (Codex Sinaiticus): “É o manuscrito grego do século IV considerado em geral a testemunha mais importante do texto, por causa de sua antiguidade, exatidão e inexistência de omissões.” (Vida, 2006, p. 142 e Vida Nova 2021, p. 622,623 Edição do Kindle).
O Códice Sinaítico foi descoberto por Constantin von Tischendorf, em 1844, no mosteiro Santa Catarina, próximo ao monte Sinai, e junto com o Códice Vaticano ganha destaque na edição de O Novo Testamento Grego das Sociedades Bíblicas Unidas, base da tradução do Novo Testamento das novas versões bíblicas (ARA, NAA, NVI, etc.).
Sobre o referido códice, diferente daquilo que Geisler e Nix afirmaram, Kurt e Barbara Aland entendem que: “O texto, que apresenta muitas leituras singulares (e descuidos), foi supervalorizado por Tischendorf, mas em termos de valor, é inferior ao texto de B (Códice Vaticano).” (O Texto do Novo Testamento, SBB, 2013, p. 117).
Em primeiro lugar, Geisler e Nix erram ao associar a antiguidade do Códice Sinaítico à sua suposta importância. A antiguidade não é o principal ou único fator que atesta o grau de importância de um manuscrito (Altair Germano, Manuscritos do Novo Testamento, Edições Bernhard Johnson, 2025, p. 45-52).
Em segundo lugar, Geisler e Nix erram ao afirmar que uma das características do Códice Sinaítico é a exatidão. Somente nos Evangelhos o Códice Sinaítico diverge mais de 3.000 vezes do Códice Vaticano. Além disso, qual seria o referencial para tal “exatidão”? Há erros textuais grotescos no Códice Sinaítico. Vejamos alguns exemplos:
– Em Mateus 1.7,8 coloca Asafe na genealogia de Jesus em lugar de Asa (A NAA e a NVI escondem esse erro).
– Em Mateus 1.10 coloca Amós na genealogia de Jesus em lugar de Amon (A NAA e a NVI) escondem esse erro).
– Em Marcos 1.2 lemos “na profecia de Isaías” em lugar de “os profetas”, visto que a primeira parte da citação é de Malaquias 3.1. (A NAA e a NVI reproduzem esse erro, e a ARC sofre aqui uma inserção indevida do texto alexandrino produzida por seus editores).
– Em Lucas 4.44 coloca “Judeia” em lugar de “Galileia”. Ver as passagens paralelas de Mateus 4.23 e Marcos 1.39. (A NAA e a NVI reproduzem esse erro).
Em terceiro lugar, Geisler e Nix erram ao dizer que o Códice Sinaítico é livre de omissões, quando na realidade esse códice omite milhares de palavras e versículos inteiros que são devidamente atestados pela tradição textual bizantina, que representa mais de 90% dos manuscritos gregos do Novo Testamento descobertos e disponíveis. Entre os versículos do Novo Testamento omitidos totalmente no Códice Sinaítico estão: Mateus 17.21; 18.11; 23.14; Marcos 7.16; 9.44,46; 11.26; 15.28; 16.9-20; João 5.4; 7.53-8.11; Atos 28.29; Romanos 16.24 e outros.
Enquanto a versão Nova Almeida Atualizada (NAA) coloca esses versículos entre colchetes alegando a não originalidade dos mesmos, seguindo assim o Códice Sinaítico (além de outros poucos manuscritos gregos), a Nova Versão Internacional (NVI) exclui todos esses versículos do Novo Testamento (negando a sua originalidade), com exceção de Marcos 16.9-20 e João 7.53-8.11, mas trazendo dúvidas sobre a originalidade desses em forma de nota de rodapé.
Não acreditem ou reproduzam tudo aquilo que os eruditos afirmam, sem antes buscar as bases e fundamentos dessas afirmações.
Infelizmente, assim como Geisler e Nix, há muitos eruditos equivocados em relação ao valor, exatidão e confiabilidade da tradição textual alexandrina, o que inclui o Códice Sinaítico.
Seja o primeiro a comentar!